Marketplace versus IA
- Paulo Thiago Camêllo

- 21 de jan.
- 2 min de leitura
Se você opera um marketplace, qual o real risco que as IAs representam de quebrar o seu negócio?
Uma das melhores análises que li sobre o tema foi a do Dan Hockenmaier e compartilho os pontos principais a seguir:
Se o LLM (Large Language Model) virar a camada de interface do consumidor (onde a decisão começa e termina), vários marketplaces correm o risco de serem desintermediados.
Hoje boa parte da jornada é:
buscar → comparar → decidir → transacionar dentro de um app/site.
Mas, com LLMs, isso pode virar:
“quero X agora” → o LLM compara tudo e executa.
O marketplace pode acabar virando um back-end invisível, perdendo relacionamento direto com o cliente, tráfego recorrente, força de marca e parte do poder de precificação.
Ok, mas como se proteger?
A “defensabilidade” de um marketplace contra LLMs pode ser construída com:
1) Dificuldade de agregar oferta (supply aggregation)
Quanto mais fragmentada, dinâmica e “difícil de mapear” for a oferta, mais difícil é para um LLM substituir a curadoria/organização do marketplace.
2) Grau de gestão do marketplace (marketplace management)
Marketplaces que fazem mais do que “conectar oferta e demanda” — com verificação, risco, suporte, logística, resolução de problemas — criam barreiras reais.
3) Natureza do engajamento do cliente
Aqui está o ponto mais contraintuitivo (e importante):
Compras frequentes e de baixa consideração tendem a ser mais protegidas (!)
Compras menos frequentes e de alta consideração tendem a ser mais vulneráveis
A lógica é que, nas decisões “grandes”, o LLM pode dominar a fase de pesquisa e comparação, virando o principal intermediário.
-> Como isso tende a se desenrolar por setor
Hotéis e serviços locais: mais vulneráveis
Aluguel de casas (temporada): vulnerabilidade intermediária
E-commerce: menos vulnerável
Entrega de comida e ride-sharing: os mais defensáveis
O que fazer agora (se você opera um marketplace)?
🟡 Aumentar o valor além da listagem: garantias, seguros, suporte, disputa, qualidade e confiança.
🟡 Colocar IA no produto (busca, recomendação, comparação) antes que o “front-end” migre para terceiros.
🟡 Investir em execução (operação, logística, padronização e SLA) — isso é mais difícil de “comoditizar”.
🟡 Usar escala/market share para reforçar vantagem competitiva e condições de parceria.
🟡 Evitar monetização que piora a experiência: fricção, excesso de ads, taxas que reduzem confiança.
🟡 Proteger a relação com o cliente (marca, fidelidade, pós-venda, qualidade consistente).
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Essa foi uma das visões mais pragmáticas e embasadas sobre o tema que li recentemente.



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