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Voz embaixo da Casca

  • Foto do escritor: Paulo Thiago Camêllo
    Paulo Thiago Camêllo
  • 19 de jan.
  • 1 min de leitura

Conheci a Ilha do Ferro recentemente.


“Por que a ilha se chama assim?”

 Spoiler: não é uma ilha.


Trata-se de um local famoso pelo artesanato à beira do Rio São Francisco formado por uma comunidade de moradores e artistas no sertão alagoano a pouco mais de 200 km de Maceió.


A região ribeirinha se tornou um polo artesão que conquistou admiração e clientes - inclusive celebridades - em todo o país.


Mas esse não é um texto sobre turismo.


Visitando os ateliês, fiquei impressionado com um em específico chamado “Farias.” Não tenho repertório nem conhecimento artístico o suficiente para classificar a técnica, mas consigo falar sobre os sentimentos que ela me evocou.


Os artesãos (2 irmãos) trabalham a madeira “crua” numa camada externa integrando com uma aplicação de acabamento mais detalhista e realista simulando rostos humanos (imagem do post).


Não há perfeição - e nem intenção de ser perfeito - na peça.


Existe uma simbiose entre elementos bem esculpidos com outros mais rústicos, trazendo uma dicotomia entre refinamento e naturalidade.


Ou, no internetês, uma junção do raiz com Nutella.


Isso me fez pensar que embaixo de toda casca existe uma voz.


Esse é um sentimento que quero reforçar e por isso a arte está na minha sala em São Paulo.


Existem vários Brasis dentro do Brasil, cada um com uma voz abaixo da sua casca refinada ou bruta. 


Que tenhamos sensibilidade e paciência para escutá-las, nos negócios e na vida.

“A arte não reproduz o visível; ela torna visível.” (Paul Klee)

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