Oração Para Desaparecer | Socorro Acioli
- Paulo Thiago Camêllo

- 28 de jan.
- 1 min de leitura

Literatura era a minha matéria favorita no colégio.
Quando um livro clássico me impressionava, eu pensava como deveria ser o sentimento de ler Machado de Assis, Carlos Drummond, Graciliano Ramos, João Cabral de Melo Neto em datas próximas ao lançamento e perceber que estava consumindo um produto cultural atemporal.
Foi assim que me senti recentemente após leituras de Itamar Vieira Junior, Conceição Evaristo e, na semana passada, Socorro Acioli. Li "Oração Para Desaparecer" e a primeira sensação é que são múltiplos livros em um só. Há três partes definidas e as duas primeiras poderiam funcionar normalmente como elementos isolados. Na primeira parte há uma aterrissagem em cima de uma "ressurrecta" chamada Aparecida que enfrenta problemas de memórias e precisa seguir com a nova oportunidade que a vida lhe proporciona em Portugal. Uma poética analogia sobre recomeços e destaque especial para sua interação com o "construtor de passados" Félix Ventura.
"Só posso fazer uma coisa agora: renascer mais uma vez. Não vou parar de renascer nunca e acho que é assim com todos nós."
Na segunda parte lemos sobre a história de Joana Camelo (sim, o sobrenome me chamou ainda mais atenção) em uma cidade do interior Cearense. Aqui há diversos simbolismos sobre crenças religiosas, comportamentos preconceituosos e um sopro de ar na vida fora dos centros urbanos. Confesso que demorei para engrenar nos primeiros capítulos, mas uma vez engatado a sensação que fica é a de ler poesia em prosa com frases despretensiosas e impactantes como a abaixo:
O grande erro da vida é perguntar para onde vamos. Isso não importa. O certo é decidir com quem.
Socorro Acioli, obrigado pela arte.

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